sexta-feira, 19 de julho de 2019

Extinção

Ela o deixou,
passou, abandonou
E foi como se não existisse
Gametas não se encontraram
O cometa errou o planeta
Tudo ficou em paz
Sem escombros, poeira
Somente uma lápide:
"Aqui Jazz"






sexta-feira, 5 de julho de 2019

Carrascoza


Meu primeiro contato com João Anzanello Carrascoza se deu em um programa de Tv. Me chamou a atenção pela serenidade e elegância. Quando tive a oportunidade de ter em mãos um de seus livros (Diário das Coincidências), descobri uma escrita também elegante e saborosa. Me ocorre a comparação com um delicioso sorvete, talvez por ser uma das minha sobremesas favoritas, já nas primeiras páginas somos agarrados por uma prosa quase poética que deixa a sensação nos olhos, semelhante ao da massa que, aos poucos, derrete na boca, revelando seus doces e sabores. Seus temas não são propriamente alegres e festivos, mesmo assim, perdas, desencontros e solidão são cobertos com caramelo, tornando-os mais palatáveis. Assim, vamos degustando as palavras e só lamentamos quando nos aproximamos do final. Se você ainda não provou, quer dizer, leu, aproveite e deleite-se.




sábado, 8 de junho de 2019

Mil e Uma Noites


Amava comodamente
Como quem lê um livro
Página por página
Frase por frase
Palavra por palavra
Como as Mil e Uma Noites
Mesmo sabendo que no final
Teria sua cabeça decepada
Pela espada da rotina




segunda-feira, 3 de junho de 2019


Todo poema deve parecer com um pássaro
Ter asas, mas também, bicos e garras

quarta-feira, 22 de maio de 2019

Incrédulo



Ponho óculos quando não necessito
Necessito ver, mas não acredito
Quando vejo, fico aflito




quarta-feira, 10 de abril de 2019

Nei Lisboa

Confesso a minha falha. Ao sair do Rio Grande do Sul, deixei para trás alguns hábitos e costumes, alguns voluntariamente outros por desleixo. LPs e fitas Cassetes ficaram na antiga casa. Desde este período fiquei apartado da cena artística gaúcha, com raras exceções. Por isso minha surpresa traz um misto de pena por não ter acompanhado mais de perto a carreira do Nei, que já era um guri famoso naqueles tempos, por estas bandas. Mas em tempo, ainda bem, deparei-me com um projeto de 2015, um CD gravado ao vivo que se chama "Telas, tramas & trapaças do novo mundo". Achei o título um pouco pretensioso, mas ao ouvir fiquei impressionado com a qualidade do trabalho. Não sou músico nem crítico profissional, falo das minhas experiências estéticas.  O trabalho impressiona pela qualidade musical, arranjos caprichosos e músicos virtuosos que valorizam as letras poéticas e finamente irônicas que nos levam a reflexão. Dias atrás tive a oportunidade de comprovar pessoalmente o que já havia percebido nas gravações. Nei apareceu em Pelotas e fez um belíssimo show acompanhado de brilhante músico Luiz Mauro Filho. Claro que o show, que ocorreu no lindo salão da Bibliotheca Pública Pelotense, teve um clima muito mais intimista, possibilitando a proximidade do público e a interação com o artista, atencioso e gentil. Muito obrigado pelo lindo show e retorne logo Nei.