Este espaço foi criado para expressar opiniões sobre filosofia, cinema, poesia, literatura, fotografia, viagens e outros tantos assuntos que me interessam... eventualmente atualizado. Caso sinta-se estimulado por algum assunto, post ou imagem, comente, participe, ficarei muito satisfeito. Abraços
quarta-feira, 27 de março de 2019
Salvação
O garoto ouviu dos parentes: -vá morar com os avós para salvar o casamento dos seus pais. O garoto foi, mas ninguém se salvou.
microconto
sábado, 23 de março de 2019
Quem sabe
O Amor é a certeza
para a desilusão
ou não?
por qual razão
abrimos mão
da liberdade
da solidão?
subserviência
ou jugo voluntário
submissão compartilhada
ou não?
com o ser amado
para a desilusão
ou não?
por qual razão
abrimos mão
da liberdade
da solidão?
subserviência
ou jugo voluntário
submissão compartilhada
ou não?
com o ser amado
sexta-feira, 15 de março de 2019
Uma Sardinha Chamada Fernão
Era uma sardinha e vivia no meio de outras sardinhas. Isto a
incomodava. Desejava uma identidade. Por isso, sempre que podia, procurava um
lugar solitário para meditar. Esse comportamento era criticado pelo cardume. As
outras sardinhas não entendiam, gritavam, -Volta pro cardume, aqui estamos
seguras. Um dia, numa dessas escapadelas, chegou perto a superfície da
água, olhou maravilhado para todo aquele brilho e azuis diferentes. Neste
momento uma gaivota o avistou, mergulhando o apanhou. Por alguns segundos,
Fernão não se deu conta do que acontecia, tão maravilhado com o que via. Lá de
cima notou a mancha escura que formava o cardume, todos como um, uma forma só. Agora se sentia diferente, na
barriga da Gaivota.
domingo, 3 de fevereiro de 2019
Cris
Cris
acordou na sala de recuperação. Logo teve ciência de onde estava e por quê. As
luzes fluorescentes e o curativo que podia enxergar, mesmo fora de foco pela
proximidade, não deixavam dúvidas. Estava doida para conferir o resultado da
cirurgia, mas quem havia esperado vinte e dois anos, podia aguardar mais uns
dias. Sabia que o local permaneceria inchado por um tempo, mas não se
importava, queria poder ver e tocar. Passara os últimos quatro anos juntando
dinheiro para poder realizar a operação, muitos sacrifícios e privações, agora
a ansiedade a consumia. A enfermeira aproximou-se e informou que tudo havia
corrido bem e logo seria liberada para voltar ao quarto.
Já
no quarto, pediu um espelho. Desânimo, só conseguiu enxergar o curativo.
Mais
um dia e estava em casa, passaram-se mais alguns até a retirada do curativo. Sentada
à maca aguardou enquanto o médico retira as bandagens e algodões e lhe alcança
um pequeno espelho com a haste e borda de prata. Ela encara a imagem refletida
com espanto, apesar da satisfação estampada no rosto do médico, ela não
consegue enxergar o próprio nariz, no lugar onde deveria estar a obra de arte
alardeada pelo médico, ela somente vê um borrão. Por mais que tente focalizar
os olhos a imagem não entra em foco. Não tem coragem de falar com o médico, é
coisa da sua cabeça, fruto da ansiedade, quando chegar em casa e se acalmar
tudo volta ao normal. Aceitou a opinião do médico de que tudo tinha ficado
perfeito, assim como ela desejara. Dentro de mais alguns dias retornaria ao
consultório para retirar os pontos. Tudo voltará ao normal, repetiu.
Mas
não foi o que ocorreu, mesmo depois de tomar os remédios e dormir um pouco, ao
mirar-se no espelho do banheiro, lá está o borrão no lugar do seu novo nariz.
Tudo bem, pensou, vamos aguardar. Pensa em procurar a analista que lhe
acompanhara nos últimos dois anos em sessões quinzenais, que era o que podia
pagar. Como falar com outras pessoas? Não iriam acreditar, achariam que está
louca.
No
geral, sempre esteve satisfeita com sua aparência, alta, magra, pele morena e
saudável, olhos escuros assim como o cabelo, liso e brilhante. Talvez os pés a
incomodassem, mas o nariz... quando começara a puberdade ele começou a mudar
também, mas parecia ter tomado outro rumo, que não harmonizava com o restante.
Talvez herança daquela bisavó pomerana? O fato é que passou a ser algo que
incomodava, mais tarde, um problema. Decidiu que, assim que pudesse, resolveria
aquilo. Os meios existiam, faltava a grana. Batalhou muito para consegui-la,
era focada, nada de baladas, gastos desnecessários com roupas e sapatos. E
agora isto?
Evitava
olhar-se no espelho, contentava-se com os elogios das pessoas. Mas o incômodo
aumentava. Após a retirada dos pontos, não se conteve, até porque o médico
praticamente a obrigou a olhar. Entregou o mesmo espelho de haste de prata, e o
susto foi maior. A área borrada estava ainda maior, mal podia definir os olhos
agora. Caiu em prantos, e o médico a consolou, disse que muitas pacientes
costumavam ficar emocionadas quando constatavam o resultado. Saiu rapidamente
do consultório, chegou em casa e trancou-se no quarto. Ficou no apartamento
todo o fim de semana. Quando ia ao banheiro, não acendia a luz. Cobriu todos os
espelhos que tinha.
Na
segunda-feira não pode evitar, tinha que trabalhar. Ao olhar-se não conseguia
mais definir o rosto e ao erguer as mãos, os dedos também já não se definiam.
Deixou escapar um gemido e seus joelhos dobraram.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019
Mundiano
Mundo
mundo
Vasto
mundo,
As
vezes pequeno e belo
Mundo
mundo
Extenso
mundo,
Quer
se viva em uma aldeia
Quer
em uma metrópole
As
palavras viajam
Em
ondas no ar
Por
continentes e pelo mar
Por
todo sistema solar
Mundo
mundo
Mesquinho
mundo
Mas
pode ser suave
Por
palavras serenas
Mãos
estendidas
Em
gratidão
domingo, 20 de janeiro de 2019
Parrésia
Que se fodam os ricos
Que se fodam os pobres
Todos fazemos parte deste complô
Uns por conveniência
Outros por conivência
Que se fodam os pobres
Todos fazemos parte deste complô
Uns por conveniência
Outros por conivência
quarta-feira, 9 de janeiro de 2019
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