domingo, 23 de fevereiro de 2014

Latência

Tenho coisas pra fazer,
mas não as encontro;
não estão onde deveriam.

Onde procurar?
Mente, coração?
Segredos...

Latentes ficarão.



sábado, 22 de fevereiro de 2014

Übermensch

True detective e o Super Homem ou Além-Homem

Rust Cohle (Mattthew McConaughey) é um detetive que passa a atuar em uma pequena comunidade do interior do estado da Louisiana. Traz em sua bagagem uma infinidade de problemas e traumas que reluta em dividir, preferindo uma vida reclusa, quase monástica, ao convívio social. Sua adaptação é dificultada por um temperamento forte e o hábito de dizer exatamente o pensa, quase sem filtros, o que acaba causando mal-estar nas pessoas com quem convive. Em suas próprias palavras: "sou uma pessoa difícil de conviver, posso ser muito crítico, não que eu faça isso por querer."
Ao longo da história descobrimos que ele teve uma filha chamada "Sophia" que morreu prematuramente e aparece como pivô dos problemas subsequentes envolvendo a esposa e o trabalho. Já recuperado e vivendo espartanamente em uma casa que abriga, quase que exclusivamente sua obsessão, seu trabalho, esforça-se para manter um mínimo de interação social, principalmente com seu parceiro Martin Hart (Woody Harrelson) e sua família, não sem demonstrar desconforto. Tudo acontece enquanto caça um serial-killer que tem agido durante muito tempo assassinando moças ritualisticamente.
O que afasta o detetive Rust do estereótipo nietzschiano é sua dependência por drogas, dos mais variados tipos. Mas na maioria dos aspectos, parece um homem capaz de viver "apesar da sociedade", não com um olhar de superioridade, mas de observador apático, niilista (não no sentido nitzschiniano), que tenta manter-se afastado para ter uma visão mais ampla, pretendendo, talvez, encontrar uma saída, já que ele mesmo afirma não ter "instintos suicidas".
Dessa forma parece compreender melhor a mente criminosa e, até mesmo, manipular bandidos levando-os a confessar seus crimes como forma de expiação.
Há algum tempo não apareciam personagens tão ricos e interessantes, apoiados por ótimos atores, uma direção excelente e diálogos inteligentes transformando o que poderia ser mais uma série boba de tv em um bom motivo para reflexão.


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Inanimados

O vento dá vida ao pano.
Seda, cabraia ou algodão,
bandeira, biruta ou pano de chão.
Que mágica faria um tapete voar?
Talvez um furacão...



quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

sábado, 25 de janeiro de 2014

Carência Ética

Coincidência ou não, vários filmes lançados em 2013 tem o mesmo tema principal. É o caso do inusitado "Sem Dor, Sem Ganho", de Michael Bay e baseado em uma história real, onde uma quadrilha formada por fisiculturistas seguidores  de um famoso guru da autoajuda, decide subir na vida praticando crimes. No caso de "Blue Jasmine" de Woody Allen, uma socialite, interpretada pela fantástica Cate Blanchett, acostumada a vida de glamour e ostentação,  vê tudo cair por terra quando seu marido é preso por fraudes no sistema financeiro.
Mas o principal representante é , sem dúvida, "O Lobo de Wall Street" de Martin Scorsese. A direção é espetacular e potencializa a brilhante atuação de Leonardo DiCaprio e de todo elenco de apoio, em especial Matthew McConaughey. É provável que DiCaprio tenha, ainda, uma longa carreira como ator, mas dificilmente terá outra oportunidade de uma atuação tão marcante e inspirada, até por que seus próximos papeis serão fatalmente comparados a este.
Fui assistir ao filme sem ter lido as criticas. Sabia que se tratava de mais um filme de Scorsese  e estrelado por DiCaprio. não esperava nada muito diferente de "O Aviador", "Gangues de Nova Iorque", "Os Infiltrados" ou "Ilhado Medo",(citando os mais recentes) excelentes filmes, por sinal, mas que não chegam a fugir de uma estética hollywoodiana. Com poucos minutos de projeção, percebi que não era o caso.Sai da sala chocado, mas de uma forma positiva ao encontrar a juventude e a imprevisibilidade que não via em uma obra de Scorsese desde "Taxi Driver". Como se, aos setenta e um anos, o diretor não mais se importasse com a polêmica que iria causar ou se a plateia sairia chocada depois de assistir ao seu filme, uma de suas marcas em seu início de carreira. Scorsese consegue um efeito arrebatador, talvez mais poderoso que o pretendido por Lars von Trier em "Dogville", inclusive utilizando-se de vários suportes e estratégias de narrativa junto a ótima trilha sonora, o que torna o filme dinâmico, nas suas três horas de duração, e arranca risadas constrangidas e nervosas da plateia.
O filme é uma subversão do mercado e deve ser coroado com o "Oscar", utilizando-se de recursos apropriados da sociedade que apresenta de uma forma nua e crua, como poucas vezes se teve coragem.
Depois  das críticas que li, a maioria escrita por pessoas com maior conhecimento e competência, parece que estou "chovendo no molhado", mas acredito que o século XXI já tem seu principal candidato a "Cidadão Kane", isto é, um filme que se torna a "obra-prima" de um diretor e que representa a essência e os valores da sociedade de seu tempo.


domingo, 19 de janeiro de 2014

Odisseu

Segredos de Odisseu que Homero escondeu...

Do couro do falo de seus colegas mortos,
 curtiu e trançou um anel e
devorou seus corações
 para preservar seus sentimentos.