Este espaço foi criado para expressar opiniões sobre filosofia, cinema, poesia, literatura, fotografia, viagens e outros tantos assuntos que me interessam... eventualmente atualizado. Caso sinta-se estimulado por algum assunto, post ou imagem, comente, participe, ficarei muito satisfeito. Abraços
quarta-feira, 24 de junho de 2020
domingo, 14 de junho de 2020
Degelos
De rios é feito o mar
Das fontes a água a brotar
Cachoeiras, corredeiras
Gotas no céu a flutuar
Matando a sede, afogando a ignorância
Arrastando pedras
formando geleiras
No alto das cordilheiras
Das fontes a água a brotar
Cachoeiras, corredeiras
Gotas no céu a flutuar
Matando a sede, afogando a ignorância
Arrastando pedras
formando geleiras
No alto das cordilheiras
terça-feira, 26 de maio de 2020
Carta a um velho amigo
Querido e velho Amigo
Quando te tornaste um fascista?
Quando, aquele minúsculo homem (sim, o fascismo é masculino até quando usa saias), saiu do seu esfincter, passou por suas tripas, chegou ao coração e tomou as rédeas da razão.
Tantos jantares agradáveis, conversas sobre música, literatura, arte e eu não notei?
Tantas conquistas partilhadas, tristezas amparadas, mas certamente ele estava lá.
Discutimos religião, futebol, política e não vislumbrei nem a sua sombra?
Mas ele estava lá. Esperando o momento. Alimentando-se de toda a angústia, repressão, medo e desilusão.
Quando a oportunidade aflorou ele assumiu tua face o transformou? Ou somente o verniz rompeu e a máscara caiu?
Para onde ele enviou a empatia, a gentileza, a generosidade e o senso de ética?
Talvez estejam escondidos por trás do hipotálamo, do baço, ou figado? Aguardam uma nova oportunidade para reinar?
Assim é, assim será. O fascismo não sobrevive por muito tempo, queima rápido e traz arrependimentos. Quando passa, temos que olhar para as cinzas e tentar aprender a lição, mais uma vez.
Meu maior medo está em perceber que este pequeno tirano pode habitar em qualquer um. Inclusive em mim.
Saudades
quarta-feira, 20 de maio de 2020
Sedução
Sobre as chamas
O caldeirão fervia
Sob a água
Maçãs, figos em fatias
Cravo, canela e pimenta
Tudo ardia
Nos olhos, marejados, caprichosos
Servido em taças fumegantes
Para mundos rodopiantes
De luxúria, desejosos
quinta-feira, 7 de maio de 2020
Um Santo Voltando para Casa
A história
começa com um mata-leão, um soco no estomago, um jeb de esquerda. O discurso de
Mantovani na cerimônia de entrega do Nobel de Literatura poderia sair dos
lábios de Kurt Cobain ou Bukowski. Porém, como Odisseu após a conquista de
Troia, um vazio toma conta de seu espírito, tal qual um flamingo morto,
deixando à deriva, por um bom tempo, sua criatividade. Sua agenda se resume a
não ter uma agenda, recusando sistematicamente os convites para os mais
variados eventos. Quando surge a oportunidade de retornar a sua Ítaca, digo,
Salas, um pequeno povoado no sul da Argentina de onde saiu há 40 anos. No último
lugar onde desejava estar, Mantovani se vê cercado por seus antigos personagens
tendo que enfrentá-los. Mesmo abrindo concessões a seus conterrâneos, descobre
que “santo de casa nem sempre faz milagres”. Antigos amores, velhas amizades,
despertam desejos reprimidos, masculinidade frágil, reações violentas e
manipulações políticas.
Mas, tanto o
personagem quanto o ator desempenham muito bem seu papel. O pequeno povoado, excitado
pela presença do ilustre filho, aos poucos vai perdendo o interesse diante do modo
pouco estrelístico e cínico do escritor que reluta em participar das convenções
provincianas. O povoado poderia estar situado no interior da Colômbia, Peru,
Santa Lúcia, Trinidad e Tobago ou no Brasil, se tivéssemos um ganhador do Nobel
(Argentina tem 5 ganhadores do Nobel, nenhum de literatura). Nas entrelinhas
estão referências a Tolstoi e Fernando Pessoa.
Enfim, entre a
descoberta da esperança de um novo talento ou dos remanescentes a sua última
aula e a trágica cura para sua abstinência literária, renasce um autor que não
abdica de seus princípios e só escreve quando tem algo a dizer.
Uma boa direção, um
roteiro primoroso e o prêmio de melhor ator em Veneza. Qual seria o discurso de
Martinez ao receber o Oscar? O Cidadão Ilustre é um grande filme.
terça-feira, 5 de maio de 2020
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