terça-feira, 13 de maio de 2014

domingo, 11 de maio de 2014

Amyr

Recordo uma história que ouvi, relato da forma que lembro, mas serve para ilustrar o que pretendo expor.
Dizem que em uma viagem a Portugal a escritora Rachel de Queiroz já conhecida, pois publicava desde os 19 anos, conseguiu agendar uma entrevista com Fernando Pessoa, de quem era admiradora e sabia que Pessoa também nutria admiração por sua obra. Eufórica, Rachel preparou-se para o encontro, mas horas antes, recebeu um recado do poeta lusitano com os seguintes dizeres: "Desculpe mas prefiro não encontra-la, nunca gostei de um escritor que tenha conhecido".
Compreendo a decepção de Rachel, mas entendo a precaução de Pessoa.
Costumo ter a mesma sensação. Uma vez isto também me ocorreu. 
Costumava seguir a coluna de um conhecido escritor em um jornal de circulação regional. Através de sua prosa viajava para lugares e partilhava emoções que me eram caras. Tinha grande admiração pela obra do escritor até conhecê-lo.
Quando a oportunidade apareceu, decepção: era um baita chato. 
Nunca mais consegui ler sua coluna ou seus livros. Pena...
A maioria dos ídolos que persistem, morreram antes de decepcionar-nos. Marilyn, James Dean, Ayrton Senna, Che Guevara, se vivessem o bastante, talvez não os admirássemos tanto. Fidel participou da mesma luta ao lado de Che e não vejo tantas camisetas com fotos dele, pelo menos fora de Cuba.
Mas as regras existem pelas exceções.
Mais uma vez tive a oportunidade de assistir a uma palestra com o navegador Amyr Klink. Acompanho seus feitos desde a travessia do Atlântico em um barco a remo.
Considero-o como um modelo de "homem sábio".
Sábio por sua coerência, a determinação em viver conforme suas palavras, um mapa para suas atitudes.  Uma incrível percepção da realidade ao seu redor, das limitações do ambiente e capacidade para resolver problemas complexos por meio de soluções simples.
Assim como nos escritos do filósofo Henry Thoreau. Em suas obras procuro alento e orientação para as situações em que me encontro confuso ou desorientado e nunca me decepcionei.
Em passagens que falam em enfrentar vagas de metros de altura no lugar de se submeter a calmarias ou das caminhadas pelas inóspitas florestas as margens do lago Walden sempre se encontra a experiência que orienta, qual um farol, o caminho do navegador ou do caminhante.

Afinal, esta vida é uma viagem, não?





terça-feira, 29 de abril de 2014

Le Fox

A beira do caminho, quedei-me
à espera de alguém. Quem?
Sem uvas, rosas ou baobás,
somente desertos, quiçá.

Enrolo-me em mim,
me aconchego.
Paciente, resignada.
Eterna espera.

Busco um coração sem algemas.
Uma relação sem grades.
Uma paixão suave.



sexta-feira, 18 de abril de 2014

Adios Gabo

Sozinho em uma sala num canto qualquer do mundo, chorei.
Lamentei por um desconhecido que soube ler minha alma como ninguém.
Levou-me pelas ruas de Macondo e através da vida dos Buendía e de uma infinidade de Josés.
A paixão perene que supera o tempo,classe social e até a peste.
Da exploração da inocência e pureza, por aqueles que deveriam proteger-te. E outras tantas histórias passadas em lugares remotos e esquecidos mas de uma universalidade e atemporalidades sem igual.
Universos mágicos mas de uma dureza humana que são familiares a leitores de qualquer lugar e em qualquer tempo.

Descanse Gabo.



quarta-feira, 9 de abril de 2014

Noé e a Maioridade

Nada mais oportuno do que filmar histórias bíblicas. Com frequência encontramos pessoas à espera de uma intervenção. Talvez por que estejamos desesperançados de nós mesmos. Não percebemos que Deus, assim como um pai responsável já delegou à sua criação autonomia e livre arbítrio para cuidar e proteger nossos irmãos e o lugar onde vivemos.
Tecnologicamente, praticamente já atingimos a maioridade. Já saímos de casa, visitamos outros mundos, descobrimos como o universo começou, dividimos o átomo. Ainda assim, relutamos em responsabilizarmo-nos por nossos atos. Esperamos ansiosamente por uma intervenção divina, um castigo ou julgamento.
Talvez seja a explicação para a refilmagem de temas bíblicos, assim como aconteceu quando o mundo foi assolado pela guerra fria.
Noé é um filme bem produzido, com roteiro shakespeariano, reis alucinados, conflitos familiares, muita violência e ação. O roteiro e direção (Darren Aronofsky - Cisne Negro) são atuais e os efeitos especiais bem realizados. Russel Crowe está ótimo junto a Jennifer Connelly (a mesma dupla de "Uma Mente Brilhante") e Anthony Hopkins muito bem como Mestre dos Magos??? (desculpem mas não resisti, a semelhança óbvia), e o resto do elenco não compromete o resultado.
O filme transcorre em uma atmosfera de magia onde ocorrem curas com a imposição de mãos e se utiliza ervas mágicas capazes de fazer adormecer elefantes, répteis e aves.
Roteirista e diretor ainda reservaram uma surpresa na metade do filme que o torna interessante independentemente da crença de quem assiste.
O mundo acaba, mas à raça humana é dada a chance de um novo começo. Mesmo assim continuamos esperando uma intervenção. Não creio que ela aconteça, para o bem ou para mal, o futuro está em nossas mãos. "Ele" apenas nos observa... não somos mais crianças.



sábado, 5 de abril de 2014

Criação

E deus pôs sua centelha
no útero do Universo.
Pois sendo uno e masculino,
só, nada podia criar.

Assim, 
à nossa imagem e semelhança
fez-se dois e foi pródigo
em beleza e vida.